Blog

8° edição de 13 na Treze é realizada no Bixiga

A comunidade do Bixiga se reuniu, no último dia 13 de maio, para a realização de mais um evento “13 na Treze”, que em sua oitava edição trouxe o slogan “Bixiga, um grito de alerta”. O encontro aconteceu ao longo de um domingo inteiro e contou com atrações abertas para toda a população do bairro, onde foram discutidas pautas importantes para a região, que diariamente luta por sua sobrevivência cultural.

Os eventos foram realizados na Treze de Maio, rua histórica e símbolo de um bairro que está em alerta pela preservação do seu patrimônio material e imaterial. Criada em 2011 pela Associação Novolhar, a iniciativa faz parte do Projeto Conexões Cidadãs, que coloca em pauta discussões sobre políticas públicas para o bairro e especialmente para a Rua Treze de Maio.

O Bixiga, antes mesmo da chegada dos italianos, recebeu os negros em suas terras, que fugiam dos leilões de escravos na região do Anhangabaú e aqui chegavam pelo Rio Saracura. Quilombos foram formados e, após a abolição da escravatura, negros e italianos fizeram a história desse bairro. A rua Treze de Maio nasceu com o nome de rua Celeste, local onde o povo negro realizava a Festa de Santa Cruz. Em 1916, a rua foi rebatizada como forma de lembrar o fim da Escravidão no Brasil.

As atividades do 13 na Treze começaram no sábado, dia 12, com a apresentação de ‘Nego Fugido – Um Ato Sobre Escravidão e Liberdade’. Nego Fugido é uma expressão popular de cultura realizada pela comunidade quilombola de Acupe-BA. Uma encenação de reparação histórica que coloca os negros como protagonistas da conquista da abolição da escravatura foi realizada na frente da Escola de Samba Vai-Vai.

O destaque do evento foi o grupo de arte e cultura Ilú Obá de Min, que fez a lavagem  da Rua Treze de Maio em protesto contra a data que, segundo eles, não representa a libertação dos negros brasileiros.

A abertura do 13 na Treze aconteceu com a Corrida Plogging, uma nova modalidade, nascida na Suécia, onde os participantes correm recolhendo o lixo que encontram pelo caminho. A atividade foi organizada pela EC Tavares, que defende a bandeira de que esporte e cuidados com o meio ambiente “correm” lado a lado.

Corrida Plogging: nova modalidade, nascida na Suécia, onde participantes correm recolhendo lixo que encontram pelo caminho

Durante o domingo, um espaço LGBTI foi criado pelo pessoal do Efeito Borboleta, com uma lista de atrações artísticas, musicais, grupos de dança, plantão jurídico, informações sobre prevenção e saúde, além de teste de HIV. Também foram realizados grafites nos muros do colégio Maria José.

Grafites realizados no muro do colégio Maria José

A Casa Mestre Ananias fez uma homenagem ao grupo de capoeira Quilombolas de Luz, que ganhou o concurso mundial Red Bull Paranauê 2018, em uma apresentação em parceria com a Bateria 013. A UMES também preparou um Sarau para esse dia de tantas atividades.

O pessoal do Instituto Bixiga fez uma caminhada pelos Territórios Negros do Bixiga. Já o coletivo Cidadelas fez homenagens à Marília Savarego e convidou mães para uma tarde de escalada urbana. No MUMBI foi realizado o lançamento da revista Flaneur, publicação alemã que dedicou uma edição para a rua Treze de Maio.

Lançamento da revista Flaneur sobre a Rua Treze de Maio no MUMBI-Museu do Bixiga

Três temas pautaram as conversas realizadas ao longo de todo o evento: o Projeto Fábrica do Restauro do MUMBI, o Parque do Bixiga e a Vai-Vai e Resistência. A livraria Suburbano Convicto realizou um debate sobre o tema ‘Cinema e Periferia’ e ofereceu uma oficina gratuita de Criação Literária. O 13 na Treze se encerrou com a apresentação da peça “Rebelião – O Coro de Todos os Santos”, no Teatro do Incêndio.

Confira as fotos do evento no álbum disponível na página da Associação Novolhar no Facebook ou no Instagram da organização.

No Comments Yet


Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *